segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Detroit - parte I

A partir de hoje apresentamos uma série de reportagens do jornalista Fernando Calmon sobre o Salão de Detroit, encerrado ontem. Aproveitem:
Poeira começa a baixar
Com mais tempo este ano para se adaptar ao mercado de veículos em queda livre, os organizadores do Salão de Detroit – nome oficial, Salão Internacional do Automóvel da América do Norte, aberto ao público de 16 a 24 de janeiro – se reorganizaram, criaram eventos paralelos, mas tiveram de cancelar um dos três dias reservados à imprensa. Agora são dois dias, como nos outros salões, pela ausência de vários expositores. Por razões financeiras, deixaram de aparecer Nissan, Mitsubishi e Suzuki, entre outros. Entre as grandes chinesas só a BYD compareceu.
No ano passado, contando a produção de caminhões e ônibus, as vendas internas na China passaram pela primeira vez a dos EUA. Se considerados apenas automóveis e comerciais leves (lá, eles enquadram nessa categoria minivans, picapes e utilitários), as 10,4 milhões de unidades comercializadas ainda garantem uma apertada liderança mundial. Os números de 2009 remetem a 1982, muito distante do recorde de 17,4 milhões de veículos há quatro anos. Em vendas per capita, porém, o mercado recuou para o nível de 1950.
Ainda assim, os EUA concentram um percentual superior a 40% de compradores fiéis de picapes, utilitários (SUV) e crossovers (lembram utilitários, mas têm chassis de automóveis). Esse percentual já foi maior e tende a encolher em razão do aperto do governo sobre os fabricantes a fim de diminuir o consumo de combustível. Picapes médias, como Ford Ranger e Chevrolet Colorado, caíram muito. O sucesso da Toyota Tacoma, líder incontestável desse segmento, levou a empresa japonesa a cogitar de um modelo menor. Há apenas estudos dentro de sua marca jovem, Scion, comercializada só nos EUA, que enfrenta dificuldades antes mesmo da crise atual. A picape compacta seria derivada do monovolume xB.
MINI BEACHCOMBER
Apresentado de forma rudimentar no Salão de Paris de 2008 e evoluído em Frankfurt, ano passado, o Beachcomber (catador de praia, em tradução livre) apareceu em Detroit com formas quase definitivas. Trata-se de mais um passo audacioso da Mini, marca inglesa pertecente à BMW. A empresa ainda não confirmou a data de produção (2012, possivelmente), nem a mecânica, porém utilizará tração 4x4.
Inspirado no Mini Moke, de 1964, captura o espírito aventureiro, sem portas e teto, como um buggy. O carro tem quatro bancos individuais, acabamento específico, suspensões elevadas e estepe pendurado na traseira. A versão de produção receberá portas e teto de plástico opcionais que podem ser encaixados, além da capota de lona semelhante à de buggies.
O Beachcomber deverá usar a mesma arquitetura inédita do Mini Countryman, crossover que estreia em 2011.

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